Greves do setor de construção envolveram menos trabalhadores em 2012

Dos movimentos registrados no ano passado, muitos ocorreram sem direção do sindicato representante e fora da data-base da categoria…

As greves do setor da construção civil no ano passado envolveram 501 mil trabalhadores, 13% ou quase 80 mil a menos do que em 2011, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (14) pela Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Fenatracop). A maior parte dos movimentos grevistas ocorreu no primeiro semestre por causa de desigualdades salariais entre obras e regiões, e muitas ocorreram fora da data-base e sem direção do sindicato representante.

Um dos motivos para a redução no número de trabalhadores envolvidos foi o aumento nos salários e benefícios, aponta a federação. As reivindicações de 80% destas greves estavam relacionadas a questões básicas, como isonomia nos salários e nos benefícios entre as obras das regiões Sul e Sudeste e as das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A Fenatracop defende o Contrato Coletivo Nacional para o setor, garantindo pisos profissionais nacionais com benefícios isonômicos entre as obras das mesmas contratantes, como Petrobras, Eletrobrás, DNIT etc.. Segundo a federação, embora haja diferenças de até 30% entre obras em relação ao Sudeste, os preços dos projetos são nacionais e financiados pelos recursos públicos por meio do FGTS, FAT, BNDES e Caixa Econômica Federal, e contratados por empresas nacionais “que maximizam seus lucros com as diferenças regionais de salários”, indica a entidade na nota.

“O principal motivo para as paralisações são as desigualdades salariais, entre obras e regiões, sendo a maioria motivada por descumprimento de acordos, isonomia entre as obras e a busca de melhores condições no ambiente de trabalho”, indica o relatório. De acordo com a federação, muitos dos movimentos grevistas ocorreram mais de uma vez no ano (60% no primeiro semestre) porque as reivindicações não foram alcançadas na primeira tentativa.

A Fenatracop também observou que houve “um número significativo de greves fora da data base e sem a iniciativa dos sindicatos da categoria”, ainda que a quantidade de greves sem direção tenha reduzido no final de 2012. A entidade cita como exemplo a paralisação na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que foi provocada pelos próprios trabalhadores, sem a iniciativa do sindicato da categoria.

A maior parte das greves (48,5%) ocorreu nas obras de carga pesada, seguidas nas de montagem (35,93%) e na construção civil (15,57%). As paralisações também se concentraram no Nordeste (39,5%), seguido pelo Sudeste (25,1%). As obras que mais movimentaram trabalhadores foram as em estádios, refinarias e no setor habitacional em Pernambuco, que mobilizaram 83 mil trabalhadores, seguida pelas greves em obras de hidrelétricas e do setor habitacional no Pará, que mobilizaram 53 mil. Os estados de Espírito Santo, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro também movimentaram mais de 40 mil trabalhadores em cada estado, nas áreas habitacional, montagem, infraestrutura, construção de estádios e de usina nuclear.

Fonte: dci.com.br