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Usina transforma entulho em material de construção

A Usifort é pioneira do Nordeste na reciclagem dos resíduos que antes eram despejados em aterros sanitários

Maquinário da usina é capaz de separar o concreto do ferro dentro da obra demolida

Em 1977, o empresário Marcos Kaiser levou para o Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) uma ideia que soou como utópica e sem chances de ser concretizada. Ele propunha o uso de todo o entulho das construções demolidas para a fabricação, após processo de reciclagem, de novos imóveis.

Os mais céticos chegaram a dizer que “o cara era um lunático, um louco”. Passados 15 anos, o “devaneio” se transformou num rentável negócio e, o que é mais importante para a sociedade, trazendo ganhos para a natureza, que é poupada para obtenção de matéria-prima a ser usada no processo produtivo de novos materiais de construção.

Pioneira na região do Nordeste, a Usina de Reciclagem de Fortaleza (Usifort) vem expandindo suas atividades e atualmente é capaz de processar 200 toneladas de resíduos por hora.

Sem impacto

Através do uso de tratores, o entulho, já parcialmente triturado, é encaminhado até uma pulverizadora a fim que os diversos materiais sejam segregados

“Hoje, a Política Nacional de Resíduos Sólidos torna obrigatório o aproveitamento de tudo aquilo que pode ser reutilizado. Ela, portanto, tornou o reúso e a reciclagem obrigatórios. Em relação aos entulhos, os ganhos são expressivos pois, além de evitarmos novas intervenções danosas na natureza, evitamos, por exemplo, o impacto de mais caminhões rodando, gastando combustível e produzindo monóxido de carbono”, explica.

A Usifort, localizada no quilômetro seis da BR-116, tem estocado 300 mil metros cúbicos de resíduos resultantes de demolições. O montante é suficiente para a construção de 50 mil casas, segundo Marcos Kaiser. Com o que um dia foi tratado como entulho ou lixo, a usina fabrica uma linha de produtos ecológicos que inclui a brita, concreto, brita corrida, meio-fio, manilhas, boca-de-lobo, estacas, tampa para bueiros, pó de pedra e multimistura.

Tijolo ecológico

Além desses itens, um dos carros-chefe da empresa é o tijolo ecológico. Ele é feto do chamado resíduo classe “A” reciclado e misturado ao cimento. É prensado e curado, no mínimo, por um período de sete dias. O processo não utiliza a queima de lenha. Marcos assegura que “ele pode ser utilizado em qualquer tipo de edificação, principalmente onde se busca rapidez, o menor custo e a beleza no acabamento”.

A prática de recolher o entulho para reciclar na usina está dando lugar ao trabalho in loco. Graças à aquisição de um equipamento chamado pulverizador, capaz de fazer a separação do resíduo -concreto e ferro- na própria obra demolida e, através da unidade móvel de britagem, construir os tijolos. “A prensa hidráulica de blocos ecológicos nos permite não retirar um só grão de areia da natureza e não queimar nenhuma árvore, evitando soltar monóxido de carbono na natureza”, destaca o empresário Marcos Kaiser.

O tijolo ecológico é todo feito a partir do material que foi reciclado das construções demolidas e pode ser utilizado em qualquer tipo de edificação

Uma máquina chamada britadora/impactadora facilita o trabalho. Ela recebe o entulho, realiza a separação magnética do ferro e produz o agregado reciclado que vai ser usado para a confecção dos produtos. O plástico e a madeira que são separados no processo de reciclagem são encaminhados às cooperativas que trabalham com esses resíduos.

Gesso

Outro material que está sendo aproveitado em parte é o gesso. Sua destinação é o campo. “Pode ser utilizado como corretivo do solo. Exceto se tiver sido pintado. Nesse caso, por enquanto, não tem jeito, já que a tinta pode contaminar o solo por ocasião do período chuvoso”.

Para se ter uma ideia da precisão com que tudo é devidamente segregado, é possível encontrar na usina grande quantidade de paralelepípedos retirados das ruas antigas de Fortaleza, como a Barão do Rio Branco, por exemplo. Alguns deles, a julgar pelo tamanho- um pouco maior do que os convencionais-, são da época do Império.

Ocupando uma área de 30 mil metros quadrados, a usina negocia com a Prefeitura um espaço maior, de 50 mil metros quadrados. “O nosso objetivo é manter todo o resíduo produzido aqui mesmo na Cidade. Transferi-lo para outro local, além do impacto com o transporte indevido causa perda de arrecadação, pois os impostos pagos iriam para outra prefeitura”, frisa Kaiser.

Apartamentos

No local onde funciona hoje a Usifort, existe projeto para a construção de 580 apartamentos totalmente ecológicos. “Além do material usado na edificação dos imóveis, seu funcionamento será dos mais sustentáveis. A ideia é reaproveitar todo tipo de resíduo que for gerado, inclusive os orgânicos, que alimentarão um biodigestor que vai gerar o gás para consumo dos próprios moradores, além do reúso da água, somente para citar dois exemplos”.

Presidiários

Outra prática da usina que está sendo renovada é o uso da mão de obra de ex-presidiários. “Estamos em negociação com o Conselho Nacional de Justiça para firmarmos um convênio para ressocialização daquelas pessoas condenadas a cumprir penas alternativas. Essa é uma tradição nossa. Por aqui já passaram cerca de 50 ex-presidiários. A nossa ideia é colocar para trabalhar mais de mil deles na construção civil”, revela.

A empresa planeja a expansão dos negócios. Está prestes a abrir uma outra sede, desta feita, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), mais precisamente, no município de Caucaia. Uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados está sendo negociada com a Prefeitura local, às margens da BR-020, no quilômetro dois.

Dentre as principais obras realizadas em Fortaleza nos últimos anos com a participação da Usifort, podemos citar o recém inaugurado Centro de Feiras e Eventos, a Central de Pequenos Negócios (novo Beco da Poeira) e a Avenida Maestro Lisboa.

Estoque

300 mil metros cúbicos de resíduos sólidos (entulhos) estão estocados na Usifort, o suficiente para bancar a construção de nada menos que 50 mil moradias

Fonte: diariodonordeste.com.br

Ministro conhece construções sustentáveis em Londres

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, participou, nesta segunda-feira (09;07) em Londres, de várias reuniões no Building Research Estabilishment (BRE) para conhecer e discutir sobre as inovações tecnológicas na construção civil. As experiências desenvolvidas pelo Building Research Estabilishment (BRE), instituto criado em 1921 voltado para o desenvolvimento de tecnologias para a construção civil, com foco na sustentabilidade, conforto e qualidade de vida dos seus moradores.

As técnicas de sustentabilidade indicadas pelo BRE foram utilizadas na construção do Estádio Oíimpico, centro dos principais jogos da Olimpiadas de Londres. Com pequenas mudanças na compra de materiais para a obra, foi possível reduzir em 33% a emissão de carbono. “Vamos estudar a forma de ampliar a parceria entre o Brasil e o Reino Unido nesta área de construção sustentável e na oportunidade de investimento para os dois países”, disse o ministro durante a visita.

Os técnicos do BRE apresentaram todos os estágios de construção sustentável: novos materiais, testes e monitoramento e métodos modernos de construção.  Uma delas é construir casas com paredes erguidas com camadas de lã de carneiro e caucário misturado com resíduos da agricultura. O BRE já desenvolve no Brasil um projeto de construção de um parque tecnológico, em Brasília, para inovações tecnológicas para habitação de interesse social. “Temos especial interesse no desenvolvimento deste projeto”, disse o ministro.

Ainda no BRE, o ministro conheceu o projeto de casas sociais desenvolvido pela Fundação do Príncipe, apoiada pelo príncipe Charles. O diretor da fundação Tim Goodwin, disse que a casa tem modelo sustentável e atende ao padrão inglês de moradia, por exigência do príncipe. Materiais reciclados também foram utilizados na construção dos móveis e outros equipamentos da casa.

O ministro também visitou a casa construída com PVC, Cub House, também com padrões sustentáveis, qualidade e conforto. Além de projetos de construção que produz energia elétrica a partir do movimento de caminhar dos moradores. A visita foi acompanhada pela secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, e o secretário Nacional de Acessibilidade, Leodegard Tiscoski. “Vamos estudar as experiências para ver como podemos adaptá-las a nossa realidade”, disse o ministro.

A agenda desta segunda-feira em Londres, terminou com um rápido encontro com o ministro de Comércio e Investimento, Lord Green. Nesta terça (10), o ministro Aguinaldo Ribeiro inicia sua agenda com uma reunião com o ministro para a Descentralização e Cidades, Greg Clark, e a diretora de Habitação, Terrie Alafat. À tarde, ele estará com os técnicos da Aecom, empresa que ganhou a concorrência para desenvolver o Plano Diretor do Parque Olímpico do Rio de Janeiro e Londres. Na pauta, temas como desenvolvimento urbano e projetos de revitalização dos projetos olímpicos, água, resíduos e saneamento básico, além de desenvolvimento sustentável e estratégias de energia.

Fonte: pbagora.com.br

Uso de material sustentável em construções é tendência mundial, diz presidente do Sinduscon

Kauffmann informou que o setor privado vai apresentar iniciativas de construção sustentável no Forte de Copacabana.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio (Sinduscon-RJ), Roberto Kauffmann, disse que a utilização de materiais sustentáveis nas construções é uma tendência mundial.

“Sem dúvida alguma. A tendência mundial e aqui no Brasil seria a utilização de uma série de itens de sustentabilidade, como aquecimento solar e eólico, telhas especiais, uma série de itens que tornam a construção sustentável”, acrescentou, em entrevista à Agência Brasil.

Esse é o objetivo de muitas apresentações que vão ocorrer durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em junho. Kauffmann informou que o setor privado vai apresentar iniciativas de construção sustentável no Forte de Copacabana, que “estão sendo tomadas e incentivadas pelo estado, pela prefeitura e pelo governo federal”.

As instalações do Forte foram alugadas pelas federações das indústrias dos estados do Rio de Janeiro (Firjan) e de São Paulo (Fiesp), pela Fundação Roberto Marinho e pela prefeitura carioca. Lá ocorrerão vários eventos paralelos à Rio+20.

Um deles, programado para o dia 18 de junho, vai tratar da construção verde. A ideia, disse Kauffmann, é mostrar que o Brasil  “está praticando e pretendendo praticar a construção sustentável. Isso é feito não só para atender à população de baixa renda, mas também à classe média e à alta renda. A gente vai procurar avançar bastante em outros quesitos”.

Kauffmann lembrou que também a Caixa Econômica Federal, principal financiadora do setor da construção,   incentiva que as empresas usem materiais sustentáveis nos empreendimentos, seja para o programa Minha Casa Minha Vida  ou para os financiamentos normais.

“Principalmente na faixa de renda de R$ 1,6 mil, estão sendo seguidos vários quesitos de sustentabilidade. Você tem que ter uma área verde dentro do empreendimento. Isso é importante, além de aquecimento solar”, citou.

Também  as residências de luxo estão em busca da sustentabilidade. O primeiro condomínio da América Latina que recebeu a certificação inglesa Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), criada em 1992,  foi o Movimento Terras, localizado em Petrópolis, na região serrana fluminense.

A certificação Breeam, uma das mais rigorosas em termos de exigências ambientais, já aprovou mais de 110 mil empreendimentos em vários países. As oito casas que integram o condomínio Movimento Terras apresentam inovações sustentáveis, entre elas estrutura metálica com aço reciclado, telhado verde, captação de água da chuva, madeira certificada, conforto ambiental com luz natural e ventilação cruzada e aquecimento solar.

O condomínio recebeu este mês o Greenbest, principal prêmio nacional de iniciativas sustentáveis, promovido pela Greenvana, empresa líder em sustentabilidade para o mercado de consumo no Brasil, na categoria projetos de arquitetura e construção.

Fonte: ultimoinstante.com.br